Precisamos construir novas relações de consumo

Consumo consciente

O grande dilema de quem pensa na sua responsabilidade para um mundo mais sustentável é como consumir sem financiar a exploração de mão de obra barata (ou escrava), de animais, ou sem fazer mal ao meio ambiente. Será que é possível nesses tempos de capitalismo anônimo ter uma vida confortável sem prejudicar meio mundo? Será que é possível ter estilo sem se sentir culpado? Parece uma missão muito difícil para nós, mas juro que é possível.

Tudo passa pelas nossas relações de consumo. O modelo está errado. Filhos que somos de uma época em que tudo o que queremos está à mão, desaprendemos a nos preocupar com o que há por traz dos produtos que compramos (quem os produziu? qual o impacto que causou na natureza? alguém adoeceu ou foi privado de algo para satisfazer o meu desejo?). Perdemos a empatia.

Por que você acha que entra em um xópin e compra uma camisa sintética, em vez de uma produzida com algodão orgânico? Não é por causa da eventual diferença de preço (até porque muitas vezes ela não existe). É porque esqueceram de te ensinar a ter empatia com o meio ambiente.

Sabe porque compramos camisetas a R$ 15 em grandes redes de varejo? É porque não enxergamos os escravos que as produziram lá no outro lado do mundo. Eles são uma mera sombra no nosso armário, quase nem se enxerga no canto escuro. Perdemos a empatia pelo outro.

Sabe por que se troca de roupa e de estilo toda santa estação? É porque fomos ensinados a correr atrás de algo que não é atingível e nem ao menos sabemos direito o que é, mas que se chama, genérica e maleficamente, moda. E nós, ansiosos do reconhecimento alheio, nos jogamos em uma lógica de consumo perversa e vazia e, mais uma vez, perdemos a empatia. Desta vez, por nós mesmos (não é um absurdo?).

O consumo consciente, algo tão em moda de ser dito, mas tão fora da realidade da maioria das pessoas, exige que nos responsabilizemos por nossas escolhas. Basta ler uma etiqueta, meia dúzia de palavras, para entendermos a origem e o material com que aquele produto foi feito. Não é difícil. É uma questão de escolha e de compromisso.

Falando em termos de grana, você já notou pelos posts que temos feito aqui que é possível comprar produtos sustentáveis de extrema qualidade e com acabamento impecável pelo mesmo preço dos produtos geneticamente modificados ou feito a partir de mão de obra escrava.

Ao invés de irmos a um xópin comprar um camisa convencional vamos procurar as lojas de pequenos estilistas locais que produzem seus produtos de forma mais sustentável e geram riqueza para as nossas cidades. Vamos deixar de comprar frutas, verduras, legumes… no mercado e passemos a ocupar as feiras orgânicas da nossa região.

Parece bobagem, mas estamos tão assustados e amedrontados que o simples fato de descer do carro, ir à feira ou andar a pé nas ruas do comércio local é uma forma de empoderamento, uma forma de tomarmos posse da nossa cidade, quase um ato subversivo. Vivemos um estado paranoico ridículo em que todos têm medo de todos, tudo assusta e conviver já não é uma opção. Você já parou para pensar quem efetivamente ganha com isso? Com certeza não somos nós.

Não há razão para acharmos que o que vem de fora é melhor, que uma grife importada vá nos dar mais status do que acreditar nos estilistas nacionais. É uma ilusão. Achamos que parecer europeus (ou americanos), usar o que eles usam, nos relacionar como eles se relacionam com o consumo, nos tornará belos e civilizados. Isso é uma mentira, um jogo de marketing que compramos sem questionar.

Precisamos com urgência voltar a viver em comunidade, precisamos voltar a apoiar o comércio local e nos apropriar dos espaços públicos. Tudo isso nos aproxima das pessoas, nos torna responsáveis pelas nossas escolhas e vai nos dando uma enorme sensação de bem-estar.

O mundo não precisa de gente que consome, precisa de pessoas conscientes e que façam a sua parte. Faça a sua. Provoque pequenas mudanças no seu dia a dia. Novas ideias têm o poder de contagiar. É nisso que acreditamos e que estamos fazendo agora, neste momento.

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