A história que explica como Gana foi transformada na maior lixeira de produtos eletrônicos do mundo

Agbogbloshie _ Crédito da foto Blacksmith Institute _ Pure Earth _ 06

Agbogbloshie é um nome praticamente impronunciável, mas a história deste distrito da capital de Gana, Accra, começa a se tornar conhecida no mundo. Tudo graças aos dois títulos que ostenta sem orgulho: o de um dos maiores lixões de eletroeletrônicos do planeta e o de ser uma das 10 maiores ameaças tóxicas do mundo junto com Chernobyl.

O local é o destino final do lixo eletrônico de países europeus e dos Estados Unidos. Tudo devida, e absurdamente, regulamentado. A maioria das carcaças de TVS, computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos de Agbogbloshie chega aos portos de Gana legitimados por acordos comerciais cujo propósito, em tese, é ampliar o acesso da tecnologia aos desfavorecidos em países subdesenvolvidos.

Agbogbloshie _ Crédito da foto Blacksmith Institute _ Pure Earth _ 01

Um cidadão (ou uma empresa) europeu, por exemplo, pode enviar algum equipamento que não use mais ao país baseado no objetivo de facilitar o acesso ao “mundo digital” à população pobre da periferia. Este tipo de acordo foi condenado pela Convenção da Basileia, realizada em 1989, na Suíça. No entanto, o fluxo de lixo eletrônico continua saindo dos países pobres disfarçado de caridade, de modo que os lixões eletroeletrônicos se espalham por outros países africanos (Egito, Nigéria e Quênia) e asiáticos (Índia e China).

No caso de Agbogbloshie, a situação é grave pois cerca de 30 mil pessoas (entre adultos e crianças) se sustentam do que conseguem tirar das toneladas diárias de lixo que chegam ao local. O trabalho, que é feito sete dias por semana em jornadas de até 13 horas diárias, gera uma renda média entre 20 centavos e 10 dólares por dia. Dados do relatório da “Green Cross Switzerland” apresentado em 2013 afirmam que apenas Gana importa anualmente cerca de 215 mil toneladas de lixo eletrônico, principalmente da Europa Oriental. Estima-se que apenas metade do que chega ao distrito é aproveitável de alguma forma ao resto não há o que fazer a não ser transformá-lo em sucata.

Agbogbloshie _ Crédito da foto Blacksmith Institute _ Pure Earth _ 02

Basicamente, há dois tipos de trabalho a se fazer: catar nas montanhas de lixo que crescem todos os dias o que ainda é possível consertar para depois revender; ou o trabalho mais pesado que é a reciclagem de insumos que podem ser reaproveitados pela indústria. Neste caso, a busca por metais preciosos (prata, aço e cobre) é o mais rentável. Porém, para isto é preciso colocar fogo em fios e outros produtos tóxicos que acabam liberando uma série de substâncias que constantemente assolam a saúde da população. Entre os problemas está a contaminação por chumbo, cádmio e outros elementos prejudiciais a saúde que são mais de 50 vezes o nível de contaminantes livre de risco segundo a “Green Cross Switzerland” e o “BlackSmith Institute“.

Em Agbogbloshie não falta apenas saneamento básico, pavimentação nas ruas ou áreas de lazer. Tão importante quanto os danos à vida humana são os males causados ao meio ambiente. O velho do rio Densu que corta o lixão exala morte e emite odores nauseabundos carregando lentamente pedaços de plástico e de metal dispensados pelos trabalhadores.

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Para impedir o colapso da população, ONGS do mundo inteiro estão engajadas em, por um lado, organizar os trabalhadores em cooperativas e, por outro, acabar com o acordo que facilita o descarte do lixo dos países ricos em lixeiras abertas como Agbogbloshie. Os efeitos práticos ainda são pequenos (porque: poder de ONG < poder político). Enquanto isto milhares de pessoas sobrevivem daquilo que ninguém mais quer.

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Crédito das fotos: Blacksmith Institute/ Pure Earth

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