A receita do Butão, o país mais feliz do mundo

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O Butão é um país localizado em um pequeno vale entre as montanhas do Himalaia. Dizem que ali moram as 770 mil pessoas mais felizes do mundo, mesmo que elas tenham uma renda de menos de R$ 8 mil cada por ano. Quais são os segredos deste lugar paradisíaco e como vivem essas pessoas tem povoado de esperança a cabeça de muitos sonhadores?

Tudo começa com a maneira como a população butanesa encara a vida. Com uma monarquia democrática consolidada, o Rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, um cara bem bonitão por sinal, percebeu que era hora de mudar as métricas para medir o crescimento da sua nação. Assim, eles abandonaram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e desenvolveram o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), passando a privilegiar a felicidade de seus habitantes e não o quanto eles produzem de dinheiro em um ano.

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Os butaneses são um povo que trabalham muito, que vivem para cuidar dos infinitos campos e das criações de animais, mas isto não os tornou obcecados pelo acúmulo de riqueza e muito menos os fez perder o contato com aquilo que para eles é mais importante como a vida em comunidade e os muitos festivais religiosos que ocorrem ao longo do ano. Para preservar suas tradições, no entanto, os butaneses se cercam de cuidados. Os turistas são limitados e o mundo moderno entra paulatinamente.

A população é budista e, conforme os ensinamentos desta filosofia, eles são estimulados a aceitar os sentimentos negativos e lidar com eles, sem ignorá-los. Para se ter uma ideia, cada morador do país deve pensar na morte cinco vezes por dia. Estudos realizados com os habitantes locais afirmam que, ao refletirem sobre a morte com tanta frequência, os butaneses percebem que ela faz parte da vida, querendo ou não, e que ignorar essa verdade tertia um preço psicológico alto a se pagar. Pensar na morte não os entristece, já que, diferentemente da maioria de nós no Ocidente, eles não isolam a morte. Ela e suas representações estão em toda parte. Ninguém, nem mesmo as crianças, está protegido dessas imagens, ou de danças rituais que reencenam a morte.

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Quando alguém morre, toda a família passa por um luto de 49 dias e a comunidade inteira se envolve rituais elaborados e cuidadosamente planejados. Muito antes de um sofrimento sem fim, estes festejos celebram a vida e a passagem do morto para um novo mundo. Assim, eles têm tempo para aceitar a perda e não precisam, como nós, sofrer calados e fingir que está tudo bem.

Além disso, de olho na saúde da sua população, Jigme teve uma ideia fantástica: criou uma lei que garante que até 2020 todos os alimentos produzidos no país deverão ser orgânicos. Grande parte das plantações do país já assim, graças aos altos custos dos produtos artificiais na região.

Jigme Khesar Namgyel Wangchuck e Jetsun Pema Wangchuck no dia do casamento

Jigme Khesar Namgyel Wangchuck e Jetsun Pema Wangchuck no dia do casamento

Jigme é tido com um rei sábio e muito admirado pela população, mas muito dos avanços que ele tem trazido para o país são discutidos em parceria com a graciosa Rainha, Jetsun Pema Wangchuck, que tem apenas 25 anos de idade.

A história deles parece um conto de fadas. Embora Jetsun seja de origem plebeia, sua família vem das classes ilustres e sempre teve relações com a casa real. O então príncipe, 10 anos mais velho do que ela, a conhecia desde a infância. Casados desde 2011, os jovens reis souberam ganhar grande popularidade. Muito apaixonado pela esposa, o rei gosta de segurar a mão dela em público (e até beijá-la na bochecha, um escândalo para os comedidos butaneses), e não hesita em tomá-la pela cintura enquanto a apresenta a alguém. Embora a tradição o permita ter várias esposas, o soberano já declarou que Jetsun será a única.

A rainha estudou na Índia e fez Relações Internacionais na Universidade Regent’s, de Londres. Seus hobbies são as belas artes e o basquete. Ela fala três idiomas: o dzongkha –a língua do Butão–, o híndi e o inglês. Apesar de serem muito reservados e avessos aos costumes ocidentais, os butaneses admiram o ar moderno de sua rainha que criou uma conta no Facebook, onde divulga suas atividades oficias.

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No dia de seu aniversário, 4 de junho, ela comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, que no Butão passou a ser festejado nessa data para coincidir com o aniversário da rainha em homenagem a sua preocupação com a ecologia.

O Butão é um país diverso e que respeita suas particularidades. Talvez seja este o verdadeiro encanto deste lugar. Nos dias de hoje, nada parece mais precioso do que voltarmo-nos à nossa essência e à vida em comunidade.

Jetsun Pema Wangchuck, a rainha butanesa

Jetsun Pema Wangchuck, a rainha butanesa

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