Conheça o homem que transforma artesãos carentes em talentos da moda sem assistencialismo

03 _ Simone Cipriani

O trabalho de Simone Cipriani é revolucionar comunidades artesãs africanas, asiáticas e latinas por onde passa. E a receita não é o assistencialismo, nem trabalhos voluntários. Com um faro genial para negócios, ele conseguiu unir grandes empresas mundiais e a ONU em um projeto ousado: qualificar os trabalhadores para que eles sejam donos de sua força de trabalho e não dependam da boa vontade de ninguém.

Tudo começou no dia em que ele se questionou: e se houvesse uma organização que enxergasse os artesãos pobres como pessoas que merecem trabalho e não pena? Assim, em 2009 nasceu a Ethical Fashion Initiative (EFI) que com o slogan “não é caridade, apenas trabalho” transforma artesãos em talentos da moda e não em beneficiários de programas assistencialistas. É uma revolução que traz muito mais do que dinheiro, traz esperança.

Tudo começa assim: Cipriani convenceu grandes empresas como Stella McCartney e Vivienne Westwood a cederem uma fatia da produção delas para a sua instituição. As empresas precisam garantir que continuaram no programa durante um prazo mínimo (cerca de cinco anos), mesmo que aja condições adversas. Além disso, a empresa que entrar para a EFI precisa ser sustentável e prestar conta de suas políticas ambientais e de produção.

02 _ Simone Cipriani

Depois disso, Cipriani e sua equipe vão a campo em busca de artesão que possam trabalha r para aquela empresa. No entanto, antes disto acontecer eles fazem uma pesquisa para entender se aquele tipo de trabalho será benéfico para a estrutura social das comunidades, pois a ideia é que não se alterem seus estilos de vida e nem suas tradições culturais.

Assim que a comunidade é selecionada, começa o treinamento para profissionalizar os artesãos dentro da realidade local. Depois disso, eles começam a vender seus produtos com preferência para a empresa que os qualificou, porém eles podem usar os ensinamentos para desenvolver toda a economia local e vender para outras empresas. A empresa que os qualificou não tem direitos sobre aquela produção, fica tudo para os artesãos.

É claro que, quando o trabalho começou, Cipriani não tinha certeza se ele daria certo ou não, mas a receita tem se mostrado um sucesso em todos os lugares em que são implantados, tanto que a EFI hoje atua sob a supervisão da International Trade Center (ITC), instituto da ONU que ajuda pequenos negócios locais a serem sustentáveis.

Como a EFI tem preferência em qualificar comunidades de mulheres, não é preciso dizer que estes núcleos têm colhido benefícios muito além do financeiro. Famílias inteiras estão tendo condições de se reestruturar a partir da sua força de trabalho e de um novo lugar social para as mulheres. Apesar de já ter feito grandes mudanças em diferentes lugares do mundo, Cipriani e sua equipe estão focados no crescimento do projeto e já trabalham inclusive com empresas americanas, japonesas e a brasileira Osklen.

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