Manifesto por uma vida sustentável

Manifesto por uma vida sustentável

A busca por uma vida sustentável se tornou um movimento mundial construído por homens e mulheres que estão mudando a maneira como encaramos a vida. Está começando uma era de transformações profundas que irão redesenhar a maneira como consumimos, como nosso relacionamos com as outras pessoas e como encaramos as nossas responsabilidades com o meio ambiente. Estamos criando um mundo melhor e o grande responsável por esta mudança está no nosso Zeitgeist.

Zeitgeist é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. Ele é, basicamente, o resultado do conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, a soma que reúne as características do nosso tempo.

Apesar de todas as incertezas e de alguns sinais de resistência conservadora, o fato é que a nossa geração (aqui não falamos em idade, mas sim de pessoas que vivem este espírito de mudança) está construindo novas perspectivas. A ideia de uma vida consumista e vazia de conquistas e significados individuais, o capitalismo sem limites, a busca por trabalhos maçantes e composições familiares tradicionais simplesmente não fazem sentido para nós. Assim como a exploração do outro para obter lucro ou vantagens cada vez mais nos parece algo bárbaro, desnecessário e injustificável.

Somos, sem dúvida, a geração que vai mudar o mundo. Somos o resultado direto do ambiente emocional, político e econômico duramente construído. Agora é a nossa hora de contribuir para o futuro deste planeta e é para isto que estamos construindo vidas sustentáveis.

Seremos nós que construiremos a união entre as facilidades e benefícios da vida moderna com uma lógica que respeite a natureza e as pessoas e que traga a sustentabilidade para o centro das relações, tirando o dinheiro e as relações capitalistas selvagens de um lugar onde eles jamais deveriam ter estado.

Os desafios são enormes e empolgantes, mas, confie, estamos preparados.

De onde partimos
O final da Segunda Guerra Mundial amenizou os grandes conflitos campais ocidentais e, num período de relativa paz, que se estende até hoje, permitiu que uma série de mudanças comportamentais acontecessem. Discussões como o respeito às pessoas, independente de sexo, raça, cor, religião, orientação sexual… fez com que a luta do discurso da tolerância começasse a abrir espaço para lugares de representação, desejos e necessidades que antes estavam reprimidos. Se antes o esperado era uma sociedade de iguais resignados, com o mesmo padrão de ambições, agora as vontades individuais começavam a surgir e a possibilidade de viver a vida do jeito que sonhamos se tornou possível.

Se por um lado estas transformações colocaram na pauta do dia questões que trouxeram uma série de benefícios a todos (embora muitos deles ainda precisem ser conquistados), por outro permitiu ao capitalismo se dar conta de que o individualismo era a sua moeda de ouro, capaz de forjar sonhos e necessidades e uma sede insaciável por consumir. E aí se consolidou o modelo atual que coloca o consumo acima de tudo e a ostentação como o auge da realização pessoal, deixamos de valer pelo que somos e passamos a valer pelo que temos (o que é uma resposta muito incompetente à dificuldade de acabar com as desigualdades). Deturparam as pautas sociais construídas com tanta garra e as tornaram produtos vendidos em prateleiras. O modelo econômico que vivemos transformou algo muito importante em uma mercadoria. E aí a coisa perdeu o rumo.

A obsolescência programada dos produtos, a moda que muda semanalmente (fast fashion), a velocidade da informação e a deusa posse transformaram o mundo de uma maneira caótica. Tudo é descartável, vira lixo depois que cansamos ou que um modelo mais “legal” aparece, mas, principalmente, consumimos sempre para termos a sensação de realmente estar vivos.

Vivemos um mundo insustentável, onde foram criadas necessidades de consumo artificiais. Fizeram as escolhas em nosso nome, criaram um mundo para nós e estamos angustiados e doentes porque simplesmente não nos encaixamos nele. O mal que nos acomete é onipresente. No fundo, é a insustentabilidade destas relações que nos massacram diariamente e nos trazem esta permanente sensação de deslocamento que paira sobre nossas cabeças.

Para onde vamos
A nossa geração cansou de viver este estado de coisas. É preciso trabalhar muito, fazer horas extras, deixar de conviver com a família para poder pagar os custos deste “padrão de vida” e mesmo assim não teremos nossas demandas por respeito e igualdade atendidas. E o pior é que, quando se faz parte desta lógica mercantilista absurda, ela passa a fazer sentido e nos obrigamos a aceita-la e a “fazer parte do jogo”.

Nossa relação com a alimentação, com a saúde, com o bem-estar emocional e com a natureza foram artificializados. Basta dizer que fast food e congelados substituíram o ato de cozinhar alimentos naturais e frescos em casa. Saúde deixou de significar cuidado com o corpo físico e se tornou ausência de doenças (devidamente controladas por remédios) da mesma forma que nossas dificuldades emocionais foram patologizadas e medicalizadas, enquanto nosso maior contato com a natureza se resume a lembranças de infância, já que estamos encarcerados em paredes de concreto 24 horas por dia.

Mas há uma pulsão, um movimento de resistência que caracteriza o nosso Zeitgeist. Nossa geração é criativa e quer extravasar seu potencial, anseia por vidas que valham a pena, por projetos nos quais possa acreditar e que possa se orgulhar por aderir a eles. E isto tem gerado movimentos ao redor de todo mundo de pessoas se rebelando e começando a construir vidas com propósito. Nós vimos pessoas maravilhosas desperdiçarem suas vidas para se encaixar em um modelo de vida que não as fez felizes e não queremos mais que isto aconteça.

Construindo o novo
Se você quer melhorar sua vida de forma que ela tenha um propósito, a boa notícia é que esta rede de pessoas está cada vez mais próxima e você está convidado a fazer parte deste grupo. Contra o tédio das relações viciadas, das atitudes mecânicas que adotamos sem nem saber o porquê e de uma vida sem expectativas reais, as pessoas têm se perguntado: “estou vivendo a vida que realmente gostaria de viver?”, “eu consumo o que preciso ou estou apegado à ideia de posse?”, “quais são os meus objetivos?”, “como posso fazer a diferença no mundo?”, “que herança quero deixar para os meus filhos e netos?”.

Estas perguntas começaram a se tornar mais frequente com a criação das redes sociais virtuais que deram voz e representatividade a grupos que antes eram ignorados. Hoje, você pode fazer um protesto virtual contra uma marca que utilize mão de obra escrava, por exemplo, e esta empresa terá sérios problemas que, com certeza, comprometerão sua imagem pública (o bem mais precioso de qualquer pessoa ou empresa).

O nosso empoderamento está mudando as noções de representatividade e mexe profundamente nas relações de poder. Governos e empresas estão se vendo forçados a mudar de postura diante do “barulho das redes”. Valores sustentáveis estão cada vez mais fortes e isto os obriga a rever legislações e até métodos de produção. Invertemos o jogo e temos as cartas na mão.

Sustentabilidade: a resposta da nossa geração
Conscientes de um mundo de oportunidades que se abria, alguns malucos, como nós, ousaram parar por um momento e constataram: “todos estão se jogando no penhasco”. Para em seguida se questionar: “será que eu devo, mesmo, fazer isto também?”. É assim que a sustentabilidade se tornou um de estilo de vida para muitos de nós, mudamos hábitos de consumo, passamos a cuidar da alimentação e riscamos da nossa lista empresas que exploram pessoas, animais ou o meio ambiente.

Mas, além do lifestyle dos sonhos, a sustentabilidade tem se tornado uma via real e lucrativa de negócios para muitos. Basta que se seja um empreendedor de visão para montar negócios sustentáveis e rentáveis. A transformação, além das atitudes pessoais e particulares, também passa por aí. Há um certo desespero silencioso entre as grandes empresas que por anos dominaram o mercado e mentiram sobre produtos “naturais”, “saudáveis”, “lights”, “caseiros”, “sustentáveis”… Estas mentiras (greenwashing, na linguagem técnica do marketing) não colam mais e elas não sabem o que fazer. Agora é a hora de novas empresas serem criadas para ocupar este espaço, a partir de perspectivas criativas e sustentáveis, e atender a demanda reprimida que de fato existe e não para de crescer. Esta oportunidade é nossa e vamos agarrá-la.

Se podemos comprar um alimento livre de qualquer veneno, se podemos consumir estilo ao invés de moda, se podemos encontrar prazer nas experiências e não nas coisas materiais, se podemos construir negócios do bem, se podemos ser livres e se podemos fazer isto sem explorar ninguém, nem exaurir os recursos naturais, porque quereríamos outra vida? Esta é a vida que queremos e é a vida que construiremos.

Consumo, logo existo
A sustentabilidade não é um uma tentativa de rompimento com o consumo e com os benefícios da modernidade. O que ela faz é trazer racionalidade ao comportamento de compra. Alguém que adota para si os princípios da sustentabilidade torna-se o que se vulgarizou chamar como consumidor consciente, um conceito que infelizmente se esvaziou, mas que na sua raiz representava alguém que fazia suas escolhas de compra não conforme os apelos do marketing, mas sim de acordo com as suas necessidades.

Este movimento abre novos horizontes para as conquistas humanas, sem que para isto precisemos destruir o planeta ou ser conivente com a exploração de seres humanos ou animais. É possível evoluirmos como civilização e viver melhor a partir de parâmetros saudáveis para nós e para o planeta. É possível, mas, para isto, precisaremos nos dar conta de que o consumo tem um papel central nas nossas vidas e que isto não nos levará a um bom lugar.

Minha vida sustentável
A conclusão que gerou a guinada na vida de todas as pessoas que escolheram a sustentabilidade como estilo de vida é a seguinte: eu posso ser feliz, ter o trabalho e a vida dos sonhos e não preciso deixar de lado minha responsabilidade com o planeta, nem explorar ninguém. A sacada é entender que temos uma única oportunidade de viver esta vida que nos foi dada de presente e que a maneira que fizermos isto deixará consequências, se positivas ou negativas depende de nós, exclusivamente.

A sustentabilidade como movimento global é formada por quem pensa além. São pessoas que a adotaram como um estilo de vida feliz, contagiante, sem deixar de ganhar dinheiro, de ter uma carreira, ou de ter conforto. A ideia é justamente ter mais consciência, se importar mais e ter liberdade de escolha, o que resulta em uma vida mais feliz.

Por este motivo, o Projeto Minha Vida Sustentável surge com uma ambição: ajudar o maior número possível de pessoas a despertarem para a necessidade de construir suas próprias vidas dentro de padrões sustentáveis. Pessoalmente, foi uma escolha que trouxe novo sentido para tudo em mim e eu desejo, do fundo do coração, que muitas pessoas possam sentir a mesma felicidade.

É preciso coragem para largar a trilha já traçada por outras pessoas, para construir a nossa caminhada enfrentando os obstáculos de um terreno inexplorado, mas é graças a isto que podemos colher frutos que a maioria das pessoas não se permite colher. Foi o que eu fiz e é para te ajudar a pensar estas questões que este espaço existe.

Estamos apenas iniciando esta jornada
Existe um ditado que diz que “felicidade não é o ponto de chegada, mas sim a caminhada para chegar a algum lugar”. É a partida rumo a este ponto que estamos dando hoje. Se fosse possível mensurar, você ficaria surpreso com a quantidade de pessoas que vivem vidas sustentáveis das formas mais criativas, divertidas e inesperadas possíveis. Se você já passou tempo demais doando sua vida para fazer algo que não te completa, agora é a hora de redesenhar os seus dias em torno das coisas que te fazem feliz de verdade. Crie, invente, mexa-se. A vida é feita de mudanças e você tem o direito de aproveitá-la ao máximo. É isto que viemos fazer aqui.

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