Quanto você está disposto a pagar por uma peça de roupa

consumo sustentável

Como funcionam o comportamento de consumo de moda? Quais são os parâmetros usados para escolher determinada peça de determinada marca? Preço, lifestyle e status parecem ser as variáveis fundamentais, mas há outra, que é fundamental e pouco explorada por quem avalia o mercado: os valores pessoais de quem compra.

O sistema de consumo atual trouxe para nós uma promessa: consuma e você será feliz. Compre cada vez mais e você será A moda. Possuir é o verbo. Assim, sendo o sujeito pobre, classe média ou rico, ele está condicionado a consumir, dentro da sua esfera econômica, aquilo que lhe dê melhor retorno financeiro (preço da peça), que simbolize o seu lifestyle e que lhe dê status.

Qual é a diferença entre aquele que entra em uma loja popular e compra 20 peças e aquele que entra em uma boutique muito cara e também compra 20 peças? Apenas o valor que eles gastam. A ideia é a mesma: estar no topo, ser admirado e notado. Se, para isto gastou-se R$ 400 ou R$ 10 mil, não faz diferença, todos estamos pagando o preço que podemos para sermos aceitos.

O ciclo de consumo no qual inevitavelmente estamos, nos fez inertes para questões muito profundas. No fundo, a maioria das pessoas sente-se mal com a exploração humana, animal ou do meio ambiente, mas quantas delas sabem em que condições a peça que desejam comprar foi produzida? Nos disseram que isto não tem importância, que não precisamos nos preocupar, que há um tio bonzinho que cuida disso para nós e nos entrega tudo pronto.

Você e eu sabemos que isto é mentira!

Se soubéssemos o quanto há de sofrimento humano em uma camiseta básica feita na China com mão de obra escrava, não a compraríamos. Se víssemos com os nossos próprios olhos a vaca ser morta para fazer o calçado da moda, jamais o calçaríamos.

Neste sentido, se não esfregam na nossa cara a crueldade que há por traz de um produto lindamente embalado, é nossa obrigação ir além. Independente do seu poder aquisitivo, você pode ser um consumidor consciente.
Comece a comprar de brechós, de marcas que produzam dentro de parâmetros sustentáveis, de estilistas (alfaiates, costureiras…) da sua cidade. Quando entrar em uma rede de fast fashion, leia a etiqueta, verifique a procedência e, principalmente, boicote as marcas que você sabe que usam ou usaram mão de obra escrava.

Os valores pessoais do consumidor só serão levadas em conta, quando ele as levar a sério. Enquanto continuarmos nesta posição confortável de quem finge que não sabe o que está acontecendo, nada vai mudar. Estamos caminhando para uma direção perigosa em que as redes sociais incentivam cada vez mais o narcisismo e a glamurização (além da gourmetização) da vida, de um lado e, de outro, a natureza dando claros sinais de que está caminhando para um nível de esgotamento muito alto. É nossa responsabilidade dizer que os parâmetros estão errados, que nos importamos, sim, e que não estamos dispostos a fazer tudo em nome de consumir.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s