O homem que surge após as semanas de moda da Europa

No último post da série “Semanas de Moda Masculina: Tendências Verão 2014” vamos analisar qual é a final o homem projetado pelas grifes nas passarelas de Londres, Milão e Paris. Quais seus valores? Para onde ele vai? E principalmente que aquilo que chamamos de moda está fazendo para ajudá-lo expressar sua personalidade.

É preciso dizer que a moda da passarela, geralmente, está um passo adiante do que os homens normalmente usam nas ruas. Por isso, o que vemos nesses eventos é um exercício de projeção das marcas, mas ele serve bem para apontar o que vem por aí. O que se viu, basicamente, foram dois aspectos marcantes: o romantismo e o culto ao corpo.

Os homens românticos de Alexander McQueen, Marc Jacobs e Phillip Lim

Os homens românticos de Alexander McQueen, Marc Jacobs e Phillip Lim

O desfile de Alexander McQueen, e também o de Marc Jacobs e o de Phillip Lim, apresentaram um homem romântico que através de uma estética própria retoma valores tradicionais e busca um pouco mais de introspecção. Esse sujeito é urbano, globalizado, mas que não abre mão do seu espaço e da sua personalidade.

Por outro lado, grifes como Philipp Plein, Versace, Salvatore Ferragamo e Armani, exploraram o homem sarado, malhado e que, por trabalhar exaustivamente o próprio corpo, o conhece muito bem e quer explorá-lo (e exibi-lo) ao máximo, mas, claro, sem ser vulgar ou caricato.

Confira as outras matérias do nosso especial
“Semanas de Moda Masculina: Tendências Verão 2014″:
O que você vestirá: Parte I
O que você vestirá: Parte II
Como ficam o seu cabelo, a sua barba e o seu bigode
Acessórios: um item cada vez mais particular

Unido esses dois pontos surge um aspecto fundamental: acima de tudo, o homem que surge no horizonte é viril. Muito tem se discutido até onde vai a aproximação do universo masculino com o feminino, qual será o limite de valores e comportamentos culturalmente ligado às mulheres que serão adotados pelos homens.

Os estilistas estão dizendo que, por mais que estejamos mais preocupados com valores familiares e existenciais, as aproximações param por aí. O homem não irá se “afeminar” como muitos temiam, não irá perder sua masculinidade ou sua virilidade, mesmo que ele seja mais romântico. E é nisso que apostam as grifes que exploraram essa temática. A supervalorização do corpo do homem e de sua virilidade apontam para um grande esforço para reforçar a essência do gênero masculino.

Os sarados da Dolce & Gabbana, da Givenchy e da Phillipp Plein

Os sarados da Dolce & Gabbana, da Givenchy e da Phillipp Plein

Outra questão relevante é que o homem de daqui a pouco tempo será cada vez mais complexo. Se pensarmos na moda de 20 anos atrás, por exemplo, o look masculino era bem mais simples. A chegada dos acessórios e a valorização destes mostra que o homem está preocupado com outras questões. Agora já não basta vestir uma roupa bacana, é preciso passar uma imagem mais enfática. E um acessório, um sapato, bolsa, ou óculos, diz muito sobre a personalidade e os valores de quem o usa.

Por fim, é preciso falar em raízes. Exatamente no momento em que a dinâmica da internet nos invade com uma velocidade absurda, sentimos a necessidade de estarmos mais próximos de nossas raízes, de nossas heranças culturais. Não é a toa que desfiles como o de Vivienne Westwood e da Givenchy estiveram tão explicitamente conectados a este tema. O homem quer evoluir, sim, mas não quer perder seu referencial. Por isso, estar perto da nossa história será uma preocupação cada vez mais constante.

Os desfiles das Semanas de Moda de Londres, Milão e Paris deixam no ar muitas possibilidades de mudanças. O homem, enquanto figura masculina, está no meio de uma efervescente revolução. É normal não sabermos muito bem quais são os limites do nosso papel, de quem somos ou de para onde vamos. No entanto, o que a moda está apontando é que mais mudanças estão por vir, que isso é divertido e que não há o que temer. Aja o que houver sempre teremos um porto seguro em nós mesmos. A aparência muda, evolui, traça novos caminhos, mas a essência, aquilo que somos, continua a mesma.

Abaixo, separamos imagens icônicas de cada uma das principais marca a desfilarem em Londres, Milão e Paris. Este mosaico dá conta de um novo homem que surgem:

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