As lições que aprendi no dia em que esqueci minhas meias sociais

Estou cobrindo um evento muito formal aqui no Rio. Quando acordei, ontem pela manhã, fui me arrumar. Foi só aí que descobri que estava sem elas, as minhas meias sociais. As esqueci em POA. Era tarde, ou melhor, muito cedo. Não havia onde comprá-las e o evento é em um local isolado.

Michael Jackson e suas meias brancas

Michael Jackson e suas meias brancas

Assim, fui ao meu compromisso trajando um terno azul marinho, gravata slim, camisa azul bebê, sapatos e cinto pretos. Tudo conforme “as regras”, não fossem as meias cinzas. Qualquer gesto mais efusivo e pimba, elas gritavam.

Como pode um cara ligado nessas questões como eu ser pego em um detalhe tão banal? Fazer as malas correndo é uma justificativa, sei lá. Mas o que importa mesmo é que, por causa desse deslize, comecei a observar melhor o que estava à minha volta. E me dei conta de algumas questões.
Primeiro: as “regras” estão sendo desobedecidas com mais naturalidade. E isso é bom.
Por exemplo, a máxima que diz que homens são monocromáticos em eventos sociais parece decididamente relativizada. Um grande número dos caras que vi ostentavam algum acessório que destoava (um relógio, um sapato, um cinto, um broche, uma bolsa…) do conjunto.
Segundo: as cores começam a ser mais bem vistas nessas ocasiões.
Homens com meias, gravatas, camisas mais coloridas, me deixaram aliviado com minha meia cinza. Me senti parte de uma nova tribo.
Terceiro: os homens mais jovens estão mais ousados no que diz respeito ao cabelo e à barba.
Encontrei muitos bigodes e barbas grandes pelos corredores que trilhei, uma tendência cada vez mais comum. Além disso, homens com cargos mais, digamos, elevados, passavam pela feira com cortes de cabelo interessantes, especialmente os raspados nas laterais, com muita naturalidade.
Quarto: Homens reparam o que outros homens vestem.
Durante o dia, nas pequenas reuniões das quais participei, era impossível não sentar. E aí, meu amigo, alguns senhores, do alto de suas repeitáveis meias pretas, me dedicaram olhares de reprovação. E não eram, claro, os mais jovens. Eram os mais velhos, cheios de pavor em ver uma meia não combinante e fora do padrão.
Quinto: sempre tem uma Americanas perto de você.
No final do dia, exausto e depois de esperar duas horas de pé por um táxi, fui jantar com uns amigos em um shopping. E lá tinha uma Americanas salvadora. Comprei dois pares de meia e fui para o hotel, me sentindo muito seguro. Só que a noite com os amigos foi tão bacana e falamos tanto em transgressão na vida que fiquei pensando e resolvi não usar as novíssimas meias pretas. Agora estou com meias azuis. E estou me sentindo o máximo, parte de uma categoria de homens bem mais confiantes e interessantes.

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