Rock: um estilo masculino

O Muse lançou hoje o clipe oficial de Supremacy, o novo single do sexto álbum da banda inglesa (The 2nd Law) formada por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard. Em tons apocalípticos e com arranjos inusitados, a música fala sobre a passagem do tempo.

Assista ao clipe

Ambientado em uma praia paradisíaca, o filme apresenta um grupo de roqueiros (vestidos de preto, tatuados, maquiados, cabelos compridos…) em uma ação inusitada: eles estão ali para surfar. E não é apenas isso. Eles andam de bicicleta, de skate e brincam com espadas de fogo.

Muse traz personagens que não se encaixam nos lugares onde imaginávamos que eles estariam

Muse traz personagens que não se encaixam nos lugares onde imaginávamos que eles estariam

À primeira vista, esses não são passatempos muito comuns para roqueiros. E isso me faz pensar no desconforto que o rock causa e nos tabus que ele vem quebrando desde sempre. A grande implicância que gerações e gerações de pais tiveram com esses músicos vem exatamente do excesso de ousadia deles, que tem prazer especial em questionar o que “seria melhor” não questionar. Não foram poucos os pais que perderam o sono pensando onde esses tais roqueiros poderiam chegar e os danos que eles poderiam causar à imagem e ao comportamento de seus queridos filhos.
Elvis Presley, por exemplo, a partir de 1954 põe os adolescentes do mundo inteiro aos seus pés e a partir dali, a juventude nunca mais será a mesma. E nem o rock abandonará o status de eterno rebelde. Auxiliares de luxo do Rei do Rock, The Beatles (a partir de 1960) e The Rolling Stones (a partir de 1962) comandarão a invasão inglesa das rádios mundiais e ditarão moda (muito mais do que Elvis, que era bem chegado em um exagero) e novas tendências de comportamento.

Nos anos 1970, é a vez de surgirem o Queen e o Kiss, grupos que vão radicalizar o discurso e o visual do rock. Na sequência, durante os anos 1980, é a hora do The Clash e, por fim, nos anos 1990, brilha a estrela meio andrógena, meio gótica, de Marylin Manson.

E, de repente, em pleno 2013, surge a irreverência do Muse que leva um grupo de roqueiros em uma viagem de volta à infância, questionando exatamente a imagem que os fãs têm do seu estilo. Eles param de “perseguir os pais” e nos perguntam: “ei, o que você pensa a nosso respeito?”.

O rock é um estilo que entre seus maiores ícones tem, em sua maioria, homens. Homens excêntricos, com personalidades fortes e ousados. Nos últimos 60 anos, eles foram responsáveis por uma infinidade de mudança no jeito de ser de muitos meninos mundo a fora.

Muitos dos avanços no estilo masculino surgem justamente da atitude de caras como John Lennon, Jimi Hendrix, David Bowie, Barry Gibb e Kurt Cobain. Fora o jeito de vestir ou de cortar o cabelo, esses caras foram importantes também para flexibilizar valores. E isso, sabemos bem até hoje, é uma questão na qual ainda precisamos avançar muito. Precisamos ouvir muito mais rock para chegarmos lá.

O rock e suas infintas possibilidades para o masculino

O rock e suas infintas possibilidades para o masculino

É difícil olhar para um mosaico de fotos de grandes ícones do rock e encontrar uma unidade. São muitos caminhos, muitas possibilidades. E adotar um estilo é meio que isso. É olhar para um universo, como o rock, e encontrar dentro de tudo isso uma tribo na qual você se sinta à vontade para se expressar, para ser do jeito que você é. Não importa se a sua arma é uma guitarra, ou uma prancha de surfe, ou um livro, ou um secador de cabelos, ou um…

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